A invenção dos irmãos Lumière encanta e leva brilho aos
olhos dos espectadores; leva sonho, comoção, envolvimento e algumas vezes
até a esperança de uma vida como aquela... Tudo isso vindo do brilho de uma
tela em uma sala escura. Sim, o cinema. A sétima arte! Aquela que fascina dos
menores pimpolhos aos mais sábios e experientes.
Nada melhor que “Cinema Paradiso” para ratificar todo esse
sentimento pelas películas de 35 ou 16 mm. O filme em questão é uma verdadeira
declaração de amor à sétima arte. Produzido na Itália em 1988, dirigido por
Giuseppe Tornatore e com uma trilha sonora assinada pelo célebre Ennio
Morricone, Nuovo Cinema Paradiso (título
original) foi o ganhador do Oscar e do Globo de Ouro de 1990 na categoria “melhor
filme estrangeiro”.
O filme tem um enredo simples: após 30 anos sem retornar a
sua cidade natal, Salvatore recebe a notícia que o seu melhor amigo Alfredo
(Philippe Noiret) falecera. A expressão que toma conta do rosto de Salvatore é
um reflexo muito claro da tristeza que se abate sobre ele. As lembranças passam a contar a história do longa.
Totó (como era conhecido Salvatore quando pequeno) vivia com
sua mãe e sua irmã na pacata cidade de Giancaldo, na Itália, no período pós-segunda
Guerra Mundial, a espera do seu pai (combatente na Rússia). Totó era coroinha da
Paróquia do Padre Adelfio, que além das atividades clericais também respondia
como o “censurador” das cenas que julgava impróprias para a exibição no único cinema
da cidade – o Cinema Paradiso -, ponto de encontro de todas as pessoas que
buscavam o lazer. O papel social do cinema é bastante abordado pelo filme que
faz questão de mostrar a não distinção do seu público (acessível a crianças ou
adultos, analfabetos ou não) e também mostra com maestria a reação e
envolvimento da plateia que assiste ao filme.
Alfredo, o projecionista, leva uma vida solitária dentro da
sala de projeção do cinema em uma época em que os filmes eram reproduzidos
ainda por força da manivela, Totó, um garoto esperto, aproveitava o tempo livre
para viajar no mundo do cinema e também criar o seu mundo a partir dos recortes
das películas que eram descartados. A paixão do garoto pelo cinema motiva a
amizade entre ele e Alfredo, que se firma de tal forma que um influencia o
outro nos seus desejos: Totó ajuda Alfredo a entrar na escola em troca dos
ensinamentos do velho amigo sobre como rodar um filme.
Após uma tragédia no Cinema Paradiso, Alfredo perde a visão
e Totó assume a sua função após a inauguração do agora “Nuovo Cinema Paradiso”
(reconstruído por um morador que ganha na loteria). Já adolescente, Salvatore se
apaixona por Elena, uma estudante recém-chegada na cidade, a quem promete esperar
o tempo que for necessário; desapontado, o jovem Totó, ouvindo os conselhos de Alfredo,
abandona a cidade e vira diretor de cinema em Roma. Salvatore, após longo
período distante de Giancaldo, retorna para o funeral daquele que nunca deixou
de ser o seu melhor amigo, mesmo distante e sem notícias.
O final do filme é bastante comovente... Um típico drama
italiano baseado no movimento neo-realista pós-segunda Guerra Mundial.
Recentemente o filme “A Invenção de Hugo Cabret” também trabalhou o conteúdo do
cinema de forma esplêndida, porém mesmo com um orçamento muito maior, este, em
minha opinião, ainda não chega à altura do belíssimo clássico do cinema
italiano “Cinema Paradiso”.





























